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A urgência da vocação

"Jesus chamou os doze… para enviá-los" (Mc 6, 7)

No chamado existe um quê de urgência. A resposta não pode tardar porque o fim do chamado—a amizade com Deus, a missão—urge ao que reconheceu o apelo.

No entanto não se é imediatamente enviado, embora se ouça um chamado para uma missão concreta no mundo e na Igreja. O imediatismo missionário equivale a arrancar a flor e não esperar o fruto amadurecido pelo tempo. A flor é bela, mas o fruto é saboroso e, uma vez consumido, transforma-se em vida, alimenta, alegra, gera a partilha.

É precisamente a urgência da missão que deve impulsionar o processo de crescimento interior daquele que decidiu responder «sim» à proposta que lhe dirige o divino Mestre. No caso dos apóstolos essa urgência da missão exigiu deles três anos de intensa escuta discipular e, após isso, o banho regenerador do Espírito para a missão.

A missão, afinal, é movida pelo Espírito, sem Ele ela se transforma em mera propaganda, pode chegar a fazer muito estardalhaço, mas não é capaz de transformar.

Escuta da Palavra e dom do Espírito Santo: elementos fundamentais para falar de verdadeira missão. Ninguém se envia a si mesmo, mas, ao contrário, é enviado.

E Deus tem urgência de continuar enviando gente disposta porque a messe é grande e os operários são poucos (cf.), pouquíssimos. Estão aí os acontecimentos do mundo hodierno a recordar-nos a urgência de semear a Boa-Nova de Cristo. Para um cristão, cada situação difícil é apelo, convocação. Recorda-lhe a urgência de engajar a vida, dar a vida para que outros tenham a vida em abundância (Jo 10,10).

Ao descobrir os sinais do chamado através das dores do mundo o cristão percebe, ao mesmo tempo, que o campo da missão não está num país longínquo, mas ao seu lado, ao alcance da mão. Será capaz de perceber rostos do cotidiano sedentos de alguém que os ame de verdade—talvez pela primeira vez— e que lhes fale de um Deus-amor que entregou o seu Filho único para salvá-los. De fato o nosso tempo é marcado por tantas feridas e, certamente, uma das principais: a familiar. Os enviados por Deus, farão esses milagres: curarão corações feridos.

A própria entrega do Filho Unigênito revela a urgência para realizar a missão que Deus nos confiou, fora desse amor não se entende deixar família, enfrentar o desconhecido, a humilhação, as renúncias... É só nessa perspectiva que alguém pode ser enviado. E para isso o próprio Deus nos capacita com os dons de sua graça. Ninguém é enviado de mãos vazias, ao contrário, traz consigo todos os dons dos quais será fiel administrador para que todos possam fazer a experiência de salvação que em Cristo o Pai oferece à humanidade inteira: «a missão não se baseia na capacidade humana, mas na força de Cristo ressuscitado (João Paulo II, Redentoris Missio, n. 23).

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