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Identidade Sacerdotal

1. A busca de um rosto

Falar de identidade é fazer referência a algo de fundamental, é poder responder à resposta mais elementar que fazemos a nós mesmos: quem sou eu?

Aos momentos de plena certeza sucedem os das incertezas mais atordoantes, pois a própria identidade revela o sentido mais profundo da vida de uma pessoa. Responder ao quem sou eu significa dar uma orientação diária e constante à própria vida.

Há pessoas que fazem a opção de fazer da vida um desfile de fantasias, não tanto porque queiram disfarçar-se mas porque não se conhecem e procuram adequar-se às circunstâncias mais diversas e acabam vestindo as máscaras que outros colocam sobre elas.

Buscar a identidade significa olhar-se de frente para descobrir o meu rosto. É também uma realidade que engloba uma conhecer-se e, por outro lado, um projetar-se. Investigar o seu ser criatural, tocando seus limites e horizontes, mas também fazer a descoberta de algo mais que nos tira das simples possibilidades humanas, é dar-se conta do grande mistério que nos envolve: o Eterno que toca o finito; o transcendente e o imanente que nos compõem. Nossa identidade está sempre em contínua relação com Deus, pois a verdade fundamental da nossa vida é que somos criaturas de Deus. Portanto, a minha identidade diz referência direta a Ele e sem este referimento não sou capaz de tocar a minha realidade profunda.

2. Identidade sacerdotal

A identidade sacerdotal está na ordem do dom:

A vocação não se escolhe, acolhe-se como uma iniciativa de Outro.

Por isso, o tema da identidade sacerdotal precisa ser tratado a partir da realidade sacramental que configura o homem ontologicamente a Cristo Sacerdote, Mestre, Santificador e Pastor do seu Povo em favor do seu Povo (Dir. 6). Esta configuração é fruto do sacramento da Ordem.

Os anos de Seminário colaboram para um discernimento vocacional que leva à acolhida do dom da vocação que justifica a participação no sacerdócio de Cristo já que ninguém pode atribuir-se essa honra (Hb 5,4).

Conseqüentemente, o sacerdote deve estar voltado para Aquele que é a referência fundamental de sua identidade. Por isso há sempre uma realidade constante em todos os sacerdotes: esta relação com Cristo ministro.

A identidade do sacerdócio ministerial tem a sua especificidade:

Se por um lado sacerdócio comum e sacerdócio ministerial estão ordenados um ao outro, pois são participação do único sacerdócio de Cristo, no entanto, eles se diferem essencialmente entre si.
“A especificidade do sacerdócio ministerial se situa perante a necessidade que todos os fiéis têm de aderir à mediação e ao poder de Cristo, que se torna visível pelo exercício do sacerdócio ministerial” (n. 6c).

Esta relação exclusiva que o sacerdote tem com Cristo deve levá-lo a:
“ter consciência de que a sua vida é um mistério inserido totalmente no mistério de Cristo e da Igreja dum modo novo e específico, e que isto o empenha totalmente e o gratifica” (id.)

Uma conseqüência importante destas reflexões: a vida do sacerdote está envolvida pelo mistério de Cristo. Nada explica suficientemente a vida do padre a não ser o mistério de Cristo. Neste sentido hoje é preciso insistir que o, antes de tudo, é e não simplesmente faz. Aqui poderíamos discorrer sobre o grande perigo na vida do padre da tentação do fazer muitas coisas, a tentação do ativismo. Com muita propriedade o sacerdote pode atribuir a si aquelas palavras de S. Paulo na Carta aos Colossenses: nossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Viver do mistério: primeiro ponto e fundamental, o sacerdote vive da Eucaristia e da vivência da Eucaristia no seu cotidiano. As palavras da celebração eucarística definem bem sua existência. A sua vida é uma vida entregue pelas pessoas, isto é o que realiza o plano de Deus sobre ele. Atenção para não confundir a realização dos nossos anseios pessoais e nossos talentos como algo importante para a realização do nosso sacerdócio.

Os homens desejam contemplar no sacerdote o rosto de Cristo, encontrar nele a pessoa que, «posta a favor dos homens no que se refere a Deus» (Hebreus 5,1), pode dizer com Santo Agostinho: «Nossa ciência é Cristo e nossa esperança também é Cristo. É ele quem infunde em nós a fé com respeito às realidades temporais e é ele quem nos revela essas verdades que se referem às realidades eternas» (Santo Agostinho, «De Trinitate», 13, 19, 24).

Daí o padre ser o homem do essencial (talvez, por isso mesmo, o homem mais passível de combate num mundo onde as pessoas se riem do absoluto, mas ele é o profeta do absoluto, um novo João Batista).

Esse ser homem do essencial o relaciona profundamente com um aspecto importante do seu ministério: distribuidor da graça de Deus, através da pregação da Palavra e dos Sacramentos.

Nesta linha, o sacerdote haure da Eucaristia todo o vigor de sua identidade: é alguém que participa da entrega de Cristo para a salvação do mundo, por isso mesmo deve estar disposto a correr a sorte do próprio Cristo em todos os sentidos, sem exclusão de nenhum deles.

Concebido pelo Espírito, nascido de Maria, cordeiro com o Cordeiro!

Ter fé no nosso sacerdócio. Ele é o sacerdócio de sempre porque é uma participação no sacerdócio eterno de Cristo, "que é o mesmo ontem, hoje e sempre" (Hb 13,8; Ap 1, 17ss), Se as exigências do sacerdócio são muito grandes, a proximidade do Senhor da confiança, afinal somos seus sacerdotes. "Já não vos chamo servos, mas sim amigos" (Jo 15,5).

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